Lá na era de ouro dos videogames, em que a Sega e a Nintendo disputavam nosso amor e o dinheiro dos nossos pais, os recursos para a criação de jogos eram limitadíssimos, comparado ao que temos hoje. Além dos gráficos quadradões e mundos em 2D, não tinha uma infinidade de botões para apertar, os objetivos eram claros , enfim, era muito mais simples a atividade de jogar videogame do que hoje.
Porém, tinha uma coisa, aquela única coisa, que nos tirava do sério e dificultava tudo: o game over.
O game over significava que todos os seus esforços tinham sido em vão. Não importa o quando você tenha mandado bem, se surgiu game over = você falhou e vai ter que recomeçar do zero.
Lógico que, diante da impossibilidade de salvar, os jogos eram bem mais curtos, dava para fechar em algumas horas. Hoje, são longos e desafiadores, mas também têm checkpoint e autosave. Ou seja, você pode tentar mil vezes até conseguir. E também tem gameplay no Youtube pra ajudar. Se desistir, convenhamos, é porque você é frouxo. Tá tudo aí, de mão beijada!
Diante da constatação de que você havia falhado miseravelmente, vinham a tristeza, a frustração. Acho que as primeiras vezes que a gente sentiu isso na vida foi jogando videogame! Enfim, a tela de game over preparava a gente pra vida de verdade. Aquela que não tem checkpoint, não tem “vou salvar nessa plataforma porque se cair vai dar o maior trabalho pra subir de novo”, não tem “to puto, vou tentar de novo amanhã”. Nós já sabíamos desde pequenos que as coisas nem sempre davam certo como a gente queria e, se desse tudo errado, não tinha choro que adiantasse, ou “pai, passa pra mim”, ou grana que comprasse alguns momentos antes: era recomeçar tudo, do zero.
Tirando a parte da grana – que, às vezes, compra o tempo… dizem, não sei, nunca tive pra usar na prática – , quantas vezes você já perdeu trabalho da faculdade porque não salvou (tipo o TCC né, Deborah?), ou disse mais do que devia e o gats parou de falar com você, ou bebeu uma tequila a mais e…

… E não teve choro nem vela: é vida real e a gente tem que vivê-la. E, se isso quer dizer se foder, você vai se foder.
Aliás, eu acho que a gente tem que reaprender a vivê-la.
Se você parar pra pensar, apesar dos gráficos quadradões e mundos em 2D, os games que a gente jogava quando era pequeno se pareciam muito mais com a RL do que os que jogamos hoje, com gráficos ultra-realistas e tudo o mais. O que falta é uma boa dose de… realidade!

Eu consigo escalar isso. Sério. É só tentar.
A amiga de uma amiga minha, que faz design de games sei lá onde, comentou uma vez que, hoje, já existe a tecnologia para fazer games exatamente tão reais quanto a realidade. Só que 1) custa mega caro e 2) pode ser perigoso, a ponto de fazer com que as pessoas confundam o que é game e o que não é! Será?
Enfim, mesmo que a gente chegue nesse grau de perfeição gráfica, a graça dos games ainda está nessa coisa toda fantasiosa e exagerada, que nos tira das nossas vidas por algumas horinhas e nos permite estourar umas cabeças pra não estourar a do chefe.

Sorry Dead Island, mas se eu quisesse ~realidade~ ao matar zumbis, eu ia na Cracolância.
A realidade que eu to falando é aquela coisa mais “empírica”, “teórica” quanto à vida. Eles eram mais coerentes e nos deixaram mais fortes para aguentar os coleguinhas zuando na escola. O Robotinik tirava todas as suas vidas e você fazia o quê, ficava chorando e não ligava mais o videogame? Não! Você começava tudo de novo e dava uma surra naquele maldito. E na escola, você ia pra aula no outro dia e dava uma surra naqueles moleques.
Ou não, você simplesmente aguentava e depois descontava no Robotinik. Catarse, né?
Enfim, não to dizendo que o fato de não ter game over fez com que ser zuado na escola dê cadeia. A vida ficou “fácil” – e, convenhamos, chata – de uns anos pra cá, assim como quando perdemos o game over. Todo jogo pode ser zerado, não exige muita habilidade ou genes gamers, mas mais paciência e treino. Mas vou confessar que, depois de dessincronizar pela 9394394a vez em Assassin’s Creed Brotherhood tentando salvar a Maçã, eu até que desejei um game over. Eu precisava da constatação de você falhou pra poder recomeçar e provar que, sim, eu conseguia fazer isso!
Porque gamer de verdade é quem leva game over na cara na última fase de Alex Kidd, engole o choro e recomeça tudo, quantas vezes forem necessárias! OMGI’MSUCHAGAMUUUURRR
























Realmente faz falta mas, como vocês mesmas disseram, o Game Over era um recurso para jogos curtos, onde não tinha mais o que fazer depois de zerar; não daria certo hoje em dia. O problema é que os desenvolvedores esqueceram desse pessoal que gosta de um desafio; nos games atuais não há penalidade nenhuma quando o jogador morre/perde, e o “Very Easy” de antigamente virou a dificuldade máxima de hoje.
Acho que você exagerou um pouco no mimimi nesse post. Concordo que hoje muito jogo é bonzinho demais; até fiquei muito desapontado quando descobri que o Donkey Kong de Wii tinha um recurso que passava de fase pra você. Mas sempre tem o fator humano dentro da coisa. Acha que o jogo tá muito fácil, muito generoso? Estabeleça desafios pra si mesma: o jogo deixa checkpoints, não tem game over? Entâo faz assim: falhou, deleta os saves e faz um jogo novo. Isso não deveria nem ser necessário, mas é uma alternativa. Falando nisso, procure sobre “Nuzlocke Challenge”. É bem interessante, mas eu não tenho paciencia pra fazer
“Todo jogo pode ser zerado, não exige muita habilidade ou genes gamers, mas mais paciência e treino.”
…Discordo fortemente disso aqui. Quer dizer que encarar o game over, recomeçar do zero e tentar múltiplas vezes até conseguir não requer paciêcia e treino? Você consegue passar tudo de primeira? Como diz o velho deitado: A prática leva à perfeição. O treino te da habilidade, ninguém nasce sabendo bla bla bla… :p
E a situação hoje, como você mencionou, é outra: os jogos são bem mais longos, e além disso, as coisas se tornaram tão corridas (pelo menos pra galera que tá na faculdade ou já trabalha), que não da pra jogar fora 10, 15 horas de jogo assim do nada. Acho que isso rende outro texto, então não vou expandir muito nessa parte do tempo. O meu ponto é que nem sempre a gente pode se dar ao luxo de ficar começando do zero toda vez.
Eu só tenho uma coisa pra dizer: Dark Souls.
Tava sentindo falta dos posts com opiniões, desabafos e afins. Acho que isso me faz curtir o trampo de vc´s. E gostei do texto meio I Have A Dream.
E se entendi a mensagem, concordo que temos algumas facilidades hoje, que nos deixaram um pouco frouxos. Mas por outro lado, criamos uma sociedade de pouca liberdade (por incrivel que pareça), com escolhas superficiais. E nisso vejo um desafio digno de reflexão (viajei muito?).
Me atendo ao texto, acredito que a atual complexidade dos games tem seus próprios desafios. Por vezes me vejo em situações que num ha save que dê jeito. Você simplesmente num tem a manha do bagulho, liga mano?
Abraços
Hahaha! Pois é, você chegou na mesma conclusão que eu cheguei quando terminei Assassin’s Creed 2. Eu disse naquele post que ele é fácil, mas esse esquema de autosaves e coisa e tal mudou muito a perspectiva.
Eu tive aula com Roger Tavares na faculdade, um dos caras que mais manjam de games no Brasil. Ele dizia que a mecânica do game não é ser impossível (como um Mario is Missing da vida), mas ele ir aumentando a dificuldade, aumentando, aumentando e trazendo desafios possíveis de serem batidos. Isso é desde o Pitfall do Atari até um Final Fantasy XIII hoje.
Porém, não sei porque diabos, os jogos tem tanto autosaves e blábláblá que é como você disse, não tem Game over e você perdeu. Meu Gamecube comprei com Super Mario Sunshine SEM MEMORY CARD. Era Game over e começar de novo com ZERO Shine Sprite. Pra terminar o jogo eu tinha que acordar o sabadão ás 6h da matina e não parar de jogar até a meia noite.
OLHA O MEDO DO GAMEOVER!
True story, Gio, rs.
Você está certa em alguns pontos, mas exagerou em outros. Quer um exemplo? Tente terminar o Gears of War 3 no Insane ou até mesmo passar da One ou da Whiplash no Guitar Hero Metallica no Expert. Você vai descobrir que ainda existem jogos difíceis. Basta procurar.
Gostei muito da potagem e da análise dos jogos novos e antigos, usando a tela de game over como comparativo. Excelente.
Me fez lembrar também de um jogo do MSX (que vocês são muito novas pra lembrar) chamado GAME OVER, no qual, quer você ganhasse ou perdesse, o resultado na tela era o mesmo. Adivinhem qual.
Grande abraço a todas, e feliz dia da toalha. 8)
ei galera,
entao é isso mesmo, hj não jogo tanto quanto jogava, meus primeiros passos foi no Monopoly, jogo da strela que é de tabuleiro, muito tempo, e depois jogava e gostava q montei meu fliperama, maquinas de ficha un pimbolim, toto, e uns super mintendo e 2 n64 e 2 ps, hj ps1 rdrdrd, mas tinha disso mesmo, hj aff, men jogo men sero aff, puts virei um tiozinho saudoso, mas valeu
sucesso ai.
uma hora destas volto a jogar,
Para mim o fim do game over tem uma vantagem, por que significa que se precisar parar de jogar não vou perder tempo fazendo novamente uma fase inteira. Antigamente nem era viável ter como salvar, mas hoje os desenvolvedores sabem que o jogador também tem vida !!!
Na vida real não existe autosave, é isso que diferencia ela do video game.
Se eu quisesse um jogo realista, assistiria futebol XP
Kid Chameleon ilustra seu tópico!
Eu sinceramente nunca joguei esses games novos, sou antiquada e só jogo super nitendo, nem sei como jogar os atuais, aliais nunca tentei pois nunca vi graça neles