Este é o primeiro post da Mari Gaspareto, nossa nova colaboradora. Dêem as boas vindas! : )

Quando se soube do novo projeto po-lê-mi-co da DC, Before Watchmen, a opinião quase unânime era de ser algo desnecessário (até porque, até certo ponto, prelúdios sempre são). Hoje, depois da leitura das cinco HQs que saíram, esta palavra continua pairando sobre o trabalho.

Os problemas de Antes de Watchmen já começam na proposta. Uma das melhores coisas na obra de Alan Moore é muito ser dito de uma forma sutil, às vezes ambígua. Muito da genialidade está no fato de só ser possível captar realmente os personagens observando esses detalhes, pequenas coisas sobre o Comediante, Ozymandias, Sally Jupiter, Roshchach… Coisas que modificam tudo que foi construído sobre eles em Watchmen inteiro, frases ou atitudes que revelam diferentes faces de cada um deles.

E Antes de Watchmen diminui isso, porque não se propõe a criar ou modificar sobre a obra original, mas a tornar mais evidente algo que já estava nas entrelinhas. No fim das contas, não passa de uma tentativa de contar de forma mais clara o que já nos foi dito.

 

A primeira HQ, dos Minutemen, não traz nada de novo. É uma apresentação dos  Homens-Minuto narrada por Hollis Mason com trechos de sua autobiografia (hm.. onde já vi isso?). A irrelevância do texto e o fato evidente da escrita não se parecer com a de Hollis, torna a leitura desinteressante. A revista também mostra um Justiceiro Encapuzado bem mais sombrio, (o que achei meio exagerado), apresenta melhor Silhouette (personagem que pouco vimos em Watchmen), e expõe Sally Jupiter como uma vigarista deliberada, sendo sua vida como ‘aventureira mascarada’ uma armação. Apresentação boa foi a do Libélula, como um homem que vive sempre com medo.

Até a arte deixa a desejar. Apesar de ser  bem feita, destacando a forma legal com que cada herói tem cores que ambientam suas aparições e refletem sua personalidade, falta algo. Um ponto positivo é o desenho de A Maldição do Corsário Escarlate, o quadrinho de piratas ao final de cada história, inspirado em Tales of the Black Freighter, mas o enredo é, mais uma vez , raso, e com os mesmos conflitos.

 

A edição do comediante mostra um relacionamento muito íntimo entre o Comediante e os Kennedy, colocando-o como assassino de Marilyn Monroe, mas o absolve do assassinato do presidente John Kennedy (diferente da adaptação cinematográfica do Zack Snyder… Esse povo não se decide, né?).

 

O Quadrinho da Espectral é o menos pior. Embora comece mal com o drama paterno batido da Laurie (e com atitudes incoerentes em relação à costumeira fuga e negação que ela tem sobre o assunto), pelo menos podemos ver uma nova história de sua adolescência envolvendo um interesse romântico qualquer.

 

A de Ozymandias também deixa a desejar, é só a reprodução do que já foi dito.

No mais, apesar das revistas serem apenas introduções, a impressão que fica é de que não podemos esperar muita coisa. São as mesmas histórias, com os mesmos personagens, mas contadas e desenvolvidos de forma mais pobre. Talvez seja porque, inconscientemente, temos na mente a obra de Alan Moore e Dave Gibbons, e aí a comparação será sempre injusta.

Quem escreve? Mariane Gaspareto


Mariane é aspirante a jornalista e psicóloga de boteco. Gosta de cultura, mídias e entretenimento, aficionada por cinema, literatura, Séries de Tv e recentemente Quadrinhos. Palpita o tempo todo e sobre tudo, adora fazer referências que só ela entende e piadas tão internas que só ela dá risada.

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comentário(s)

  1. Jeferson Cardoso P. Lança disse:

    Gostei e me veio um pensamento aleatório:

    Se colocarmos as integrantes “velhas”(com aspas enormes) do Garotas Geeks como Minutegirls vc Mariane e a Nah já são a segunda geração.

    Claro que eu não quero que aconteça o mesmo que nos quadrinhos!

  2. Roshchach disse:

    Quando soube que teria post sobre watchmen, me animei. Mas depois de ler e perceber a visão vaga do que me parece uma noob no mundo das Hqs, me decepcionei. Mas se tratando de uma novata, era de se esperar.

  3. hiper4tivo disse:

    Pô eu li e tive uma impressão parecida com o que você falou no final.

    Eu acho que a tendência vai ser a gente ser injusto por comparar com a série original do Moore.

    Mas no geral eu não achei ruim, não.

    Não sei se foi a alegria de ler mais alguma coisa sobre Watchemen, mesmo sendo uma espécie de gambiarra.

    Então acho que as duas emoções se equilibraram. hehehe

    Até mais

  4. Spider-Girl disse:

    Quem virou gay agora?

  5. Zoom disse:

    Antes de saírem defendendo o Sr. Alan Moore, seria de fundamental importância que lêssem esse artigo e divulguem. Este Senhor não merece o SEU respeito:

    ” Alan Moore cospe na cara dos fãs e humilha artistas”

    http://rquadrinhos.blogspot.com.br/2012/08/alan-moore-cospe-na-cara-dos-fas-e.html#more

  6. Ricardo disse:

    Ótimo post, muito útil p mim!
    Minha primeira visita ao site, mas pretendo voltar…
    Parabéns!

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