Vou começar não falando de mim e, talvez, não de você, mas do brasileiro em geral: ele ama futebol. Para tudo que estiver fazendo para ver um jogo, torce, sofre, acompanha notícias, discute no bar. Poucas coisas unem tanto como o futebol, a ponto de rico e pobre torcerem para o mesmo time e, naqueles 90 minutos, não haver tanta diferença entre eles. É uma paixão e, como apaixonados, os torcedores defendem até a morte seus times. Às vezes, literalmente. E, como todo mundo sabe, futebol não se discute.

Ultimamente, tenho percebido outro assunto que, logo, será proibido discutir: tecnologia.

Hoje, todo mundo tem acesso a todo tipo de tecnologia, seja porque o poder aquisitivo aumentou ou porque os preços baixaram, ou os dois, não sei. Também é muito fácil achar informações sobre tecnologia (obrigada, Google!). É muito fácil, por exemplo, comparar diversos modelos de notebook e escolher qual comprar, buscando informações sobre cada item da especificação e descobrir qual tem mais a ver com a sua necessidade. Assim, toda a construção de conhecimento tecnológico ficou bem mais simples e democrática. Há alguns anos, era um assunto que poucos dominavam; hoje, todo mundo tem algum conhecimento, mesmo que pouco, e já pode falar sobre isso com um pouquinho de propriedade. Mesmo que seja só experiência do usuário, ou seja, saber do que está falando porque usa todo dia o equipamento. Qualquer um pode ser um especialista em tecnologia – é claro, se se dedicar a isso.

Com isso, surgem as preferências de cada um, desde marcas e sistemas operacionais a modelos e acessórios. Mas é tudo preferência, quer dizer, não existe um motivo universal para gostar de uma e não de outra – se tivesse, todo mundo teria a mesma preferência; se uma fosse realmente melhor, não haveria como as outras concorrerem. E nem é aquela coisa de o que seria do azul se todos gostassem do amarelo; é questão de mercado, mesmo.

Surgem os fanboys, que defendem com unhas e dentes seus escolhidos como se suas vidas dependessem disso. No futebol, chamamos de “torcedores”. E, quando grupos de amigos que gostam de coisas diferentes se reúnem para trocar uma ideia, o assunto cai na tecnologia e começa a discussão, bem humorada ou não.

Isso ficou muito claro quando postei aqui sobre o porquê de eu preferir um smartphone barato e com Android a um iPhone e quando a Tammy postou sobre o porquê dela não trocar o iPhone por nada. Os dois posts são opinativos, ou seja, a gente fala da nossa experiência neles e do que a gente gosta. E, enquanto a maioria dos comentários foi quase neutra, do tipo “ok, mas prefiro o modelo X por causa disso e disso”, teve muita gente que achou que estávamos xingando a mãe! HAHAHA ficou pessoal para alguns. Assim como, de um modo geral, são as discussões sobre futebol!

E o fato de estar todo mundo debatendo tecnologia como se fosse futebol, com esse fanatismo todo, é bom? Claro que é! Significa que as pessoas se interessam por isso, procuram se manter minimamente informadas e, com mais interesse, também há mais compra. Com mais compra, há mais investimento e mais desenvolvimento. Ou seja, a tecnologia pessoal já vem sendo muito melhorada nos últimos anos e a tendência é melhorar ainda mais os recursos que chegam ao consumidor final e não-especializado – por exemplo, a sua mãe, que hoje usa aquele primeiro smartphone que era seu e reclama da velocidade do 3G na cidade dela. Ela teria esse tipo de opinião há uns 3 anos?

Em todo caso, fica a dica: enquanto a tecnologia não se une à religião e à política na lista de assuntos que não se discute… discutamos! : D

Quem escreve? Giovana


Giovana vê referências nerds onde não tem, crê que dor de cabeça é gene X se manifestando e acha que De Volta Para o Futuro > Star Wars. Pretende ser Embaixadora da Terra para Assuntos Externos e ainda quer casar com o Zachary Quinto apesar dele ser gay (afinal, é mandingueira e traz a pessoa amada de volta em 3 dias).

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Categorias: Comportamento, Destaques

comentário(s)

  1. Marcelo Pinto disse:

    Parabens Gionava muito bem colocado, adorei o poste!
    Infelismente algumas pessoas tendem a levar as coisas para o lado pessoal (fanboy) quando a opinião não é compatível com a dele/dela.
    O que é uma pena pois uma discussão que poderia ser rica em comentários vira uma guerrilha ineterpesoal

  2. Victor Neres disse:

    Desde o lançamento do IPhone 5 tenho pensado a mesma coisa, eheheh.

    Tenho utilizado bastante seu contexto de “se uma fosse realmente melhor, não haveria como as outras concorrerem”, mas os fanboys estão aí e tenho visto brigas feias.

    Do mesmo modo também acho ótimo essas “brigas”, pois abre a concorrência e faz com que as empresas/tecnologias continuem avançando para conquistar novos consumidores e manter os antigos.

    Parabéns pelo post.

  3. Dani disse:

    Eu tava gostando do post, e iria considerá-lo perfeito, aí veio o penúltimo parágrafo. Que as pessoas defendam apaixonadamente seu ponto de vista vá lá, mas não precisam chegar ao cúmulo de reagir como se tivessem xingado a mãe. Isso pra mim é coisa de moleque mimado, criado a leite com pera e que nunca aprendeu que opinião é igual a nariz: cada um tem o seu. Sem contar que o comum é que apelem logo para a “valentia da web”, que os faz xingar, debochar, menosprezar e ofender quem tem uma opinião diferente. Sinceramente, para mim esse tipo de comportamento soa mais como uma involução do que como evolução.

    • Giovana disse:

      Sim, Dani, concordo com vc e até já comentei sobre esse comportamento em outros posts… A intenção aqui foi mostrar como o comportamento das pessoas em relação à tecnologia chegou a esse nível de paixão, de xingar e ofender, que é o que a gente vÊ com o futebol por aqui com muita frequência. Mas, claro, não é um comportamento que aprovo!

  4. Pra discutir tecnologia ou qualquer coisa, tem que ter um minimo de senso e saber o que ta falando…Tem muita gente que as vezes coloca Pontos totalmente nada a ver com o Papo.
    Por outro lado, podemos discutir sobre o assunto ponderando os pontos de vista e esquecendo seus gostos pessoas…Eu tenho Iphone e vejo muitos problemas nele, mas vejo também problemas no Android e no Windows Phone.

    Agora vir com ISMO (IphonISMO,AndroidISMO,WindISMO) acaba com todo a Lógica da Discussão.

    Acheis os Dois Posts bem ponderados, iguais ao Estilo “5 Coisas que Agradou e 1 para ficar longe”.

  5. Jade disse:

    Interessante não fazia ideia de que isso acontece, sei la talvez por eu fazer física tecnologia para mim é uma coisa passageira da qual não vou me apegar, se você ama seu carro hoje amanhã seu filho vai amar o teletransporte, então para que se apegar?

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