O Coldplay, numa iniciativa muito legal, transformou seu álbum de 2011 ”Mylo Xyloto” em uma história em quadrinhos homônima, que foi divulgada na Comic-Con em San Diego esse ano.
A HQ, que será lançada em seis partes em 2013, virou animação no clipe de ” Hurts Like Heaven” da banda.
No vídeo, a caracterização dos dois extremos é muito bem feita: o ambiente é escuro, sombrio e muitas vezes estático, com as ilustrações da revista e as cores dos rebeldes, que criam vida e tem movimento.
O clipe também funciona bem como teaser da história apesar dos spoilers de leve. Além disso, a relação entre a animação e o áudio é impecável, não jogando imagens aleatórias, como é comum, mas conduzindo a narrativa com imagens que acompanham e complementam o som, o que dá um resultado bonito e uniforme e a musica é tão lindinha quanto o visual.
E, bem, como sou uma pessoa muito bem relacionada, com muitos amigos importantes, tive acesso em primeira mão à edição #1 de Mylo Xyloto cof cof caiu na net .
O gibi conta a história do planeta Silencia, com 14 bilhões de silencianos vivendo uma ditadura onde cores e sons são reprimidos pois, segundo o governo, atraem os vilões Eaters, que mataram muitos habitantes no passado. O silêncio é controlado por uma espécie de polícia (os Silencers) que são responsáveis pelo ensacamento (prisão em sacos onde não há cor e som) dos Sparkers, rebeldes detentores de uma tinta mágica chamada Spark que é preenchida com sons.
A premissa é fofa e encantadora, e o roteiro tem referências legais, como a do Hypnofeed, uma espécie de entretenimento que parece uma mistura do cinema sensível e da Soma de Admirável Mundo Novo , de Huxley. Os Silencers também são condicionados desde seu nascimento, lembrando o condicionamento descrito nesse mesmo livro. Há uma loteria chamada SuperFeed, o elemento propulsor dos habitantes, que remete à loteria de 1984, de Orwell, que também é o elemento que dá esperança e motiva a massa.
A HQ foi criada por Coldplay e Mark Norman Osborne (Diretor de Kong Fu Panda e da animação de Mylo), a primeira revista é ilustrada por Alejandro Fuentes e o responsável pela colorização lindíssima(tão bem feita na revista quanto no vídeo) é Steve Hamaker.
Eu gostei da idéia do quadrinho, só não entendi exatamente o motivo! Inicialmente, a proposta era um filme de animação semelhante à Yellow Submarine, dos Beatles - o que, imagino, seria mais conveniente para a banda como divulgação, até porque seu público consome esse tipo de produto: clipes mais longos, filmes de animação, curtas e afins, além de dar pra colocar como extra em DVD e etc. O gibi não tem um roteiro bom o suficiente pra se ‘manter’ sozinho, nem tem relação direta com o álbum ou a banda pra gerar interesse no fã, e também não é o tipo de produto consumido pelo público da mídia (quadrinhos). Trocando miúdos, a HQ não é boa o suficiente como projeto paralelo e não me parece muito funcional como divulgação/extensão do trabalho da banda.
Ainda assim, achei o resultado criativo, bonito e bem feito. Algo que vale a pena conferir, e que talvez seja indicador de um interesse crescente no investimento e exploração da mídia.



























Realmente é uma ideia bacana. Apesar de não gostar da música dos caras, acho legal a transportar a inspiração musical para outra mídia. Mesmo que o resultado não seja estelar, tem pelo menos uma identidade forte.
Achei demais a ideia, se tu realmente ver a ideia que tem por tras foi genial, achar que isso é bobagem e fraco é porque não entendeu muito o sentido das cores e dos sons, e o que eles querem dizer com isso. Fala de um governo opressor, onde os puros e verdadeiros são calados, é uma realidade possivel pra daqui a muitos anos, cada vez mais tecnologia e guerras. Enfim, acho que é uma baita idéia, mas pena que nem todo mundo vai entender!